Sábado, 14 de outubro, é dia de samba na Praça das Artes. A manifestação cultural mais popular do Brasil terá dois representantes que dignificam o ritmo em Sobradinho, provando que não é à-toa que a Cidade -Arte manda bem em todos os campos da Arte.

Os grupos Luz do Samba e Nascente do Samba têm mais de três décadas de existência e surgiram aqui, durante o boom do pagode romântico, na virada do século, época que consagrou o Raça Negra, Só Pra Contrariar, Travessos, Art Popular, entre outros que permanecem até hoje na mídia.

Os dois grupos de Sobradinho, no entanto, não caíram na malemolência do pagode romântico, que caracteriza muitos desta geração de sambistas.

Os Sobradinhenses cultivam a mais tradicional escola de samba de raiz e interpreta o repertório de grandes mestres, como Nélson Sargento, Nélson Cavaquinho, Fundo de Quintal e Reinaldo Gonçalves Zacarias — o Reinaldo, Príncipe do Pagode.

Será com clássicos desta origem e outras páginas musicais de qualidade que os dois grupos vão abrilhantar a noite deste sábado, 14 de outubro, na Praça das Artes, na Quadra 8, a partir das 19h, em mais um evento do ARTE NA PRAÇA.

O Projeto é desenvolvido pela Associação ARTISE de Arte Cultura e Acessibilidade, há seis anos, com apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa e da Administração Regional.

Esta noite de samba é o quinto evento da sexta edição do ARTE NA PRAÇA, que tem atraído um enorme público ao centro tradicional de Sobradinho, tornando a Praça das Artes Teodoro Freire um ponto de encontro, que reúne amigos, famílias e casais de namorados.

O evento do próximo sábado contará, ainda, com a eletrizante presença da dançarina Karol Thayná e sua equipe, que executam exóticos números de dança do ventre, no intervalo dos shows musicais, todos os sábados.

LUZ DO SAMBA

O Luz do Samba surgiu em Sobradinho, ainda em 1987, e cresceu apresentando-se, constantemente, no templo sagrado do samba do DF, a Aruc, no Cruzeiro Velho.

“A Aruc sempre foi nossa casa, onde acompanhamos e abrimos shows de Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Martinho da Vila e outros figurões do samba do Brasil,” relata Tauá Flamengo, um dos fundadores do Luz.

O grupo interrompeu suas atividades durante a pandemia, mas voltou com força total, contando com uma base sólida, na execução de instrumentos tradicionais, composta por Tauá Flamengo (banjo), Rafael Lima (cavaquinho), Jorge Maranhão (repique de mão), Cristiano Olímpio (pandeiro), Neto (tantã) e Jaime Sacramento (surdo).

O Luz do Samba espelha-se no trabalho do Grupo Raça, que surgiu no Rio, em 1985, e já gravou mais de 15 álbuns. O Luz tem como referência, também, o trabalho de Zeca Pagodinho, Fundo de Quintal, Beth Carvalho e Martinho da Vila.

Os iluminados, além de se apresentarem constantemente nos grandes clubes de Brasília, como AABB e AABR, já gravaram dois álbuns, que alcançaram repercussão no DF, Rio de Janeiro e São Paulo.

O primeiro, Nação Brasileira, gravado em 1991, contou com a participação do carioca Reinaldo, que revolucionou o pagode paulistano, após mudar-se para São Paulo.

Nesta época, o Príncipe do Pagode veio a Brasília e ouviu a música Tem que ter fé, de Jorginho Alexandre, um dos componentes do Luz, na época, e gostou tanto que a gravou no álbum Papel assinado, também de 1991.

O segundo álbum, Sem Bandeira, veio em 1993 e alcançou o mesmo desempenho do anterior. Para o show de sábado, o grupo promete muita Luz e muito samba de raiz.

NASCENTE DO SAMBA

Outro grupo de samba, que tem raízes profundas em Sobradinho, é o Nascente do Samba, fundado aqui, em 1991.  Nos seus 32 anos de existência, o Nascente já se apresentou em todas as cidades do DF.

Sempre atraindo grandes plateias, o grupo tem grata lembrança da festa do trabalhador de 1991, quando uma multidão de milhares pessoas o aplaudiu, com entusiasmo, no Clube do Sesi da Cidade Serrana.

Da formação inicial, porém, restam apenas o vocalista Edílson e o percussionista Rodrigo Martins que, hoje, estão ao lado de André Lellis (cavaquinho), Eduardo (violão); Ginaldo (surdo), Willian (tantã), Junior (tantã) e Rodrigo Araújo (banjo).

O Nascente do Samba tem como referência de estilo, o samba do Fundo de Quintal e de Zeca Pagodinho. Para o show da Praça das Artes, no sábado, o grupo selecionou um repertório pra ninguém botar defeito.

Entre clássicos e sucessos de sempre, o público vai ouvir a belíssima Estrela de Madureira (Acyr Pimentel/Cardoso), seguida por Agoniza mais não morre (Nelson Sargento), Vem pra ser meu refrão (Reinaldo), Todos os pagodes (Almir Guineto), Vida da minha vida/Coração em desalinho (Zeca Pagodinho), Aquarela Brasileira (Ary Barroso) e muito mais.

Fonte: José Edmar Gomes/ASCOM – ARTISE