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Fotos: Rafael Campos e Kezia Abiorana/Funai

A presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapichana, compareceu no último dia (01/2) à Posse Ancestral, organizada pela Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA). O evento ocorreu no Centro de Formação em Política Indigenista (CFPI) da Funai, em Sobradinho (DF), no contexto da Pré-Marcha das Mulheres Indígenas.

Anciãs de todo o Brasil reuniram-se para, com seus maracás, ervas e água, abençoarem e empossarem secretários, secretárias e demais autoridades indígenas que ocuparão cargos públicos no Executivo, Legislativo e nas secretarias estaduais. Joenia Wapichana foi empossada e reconhecida pelas cacicas, lideranças e anciãs, ainda que sua posse ainda não tenha sido oficialmente realizada.

Com música, pintura e pajelança, o evento recebeu cerca de 400 mulheres indígenas de 93 povos de todo Brasil, que estão no CFPI desde o último dia 29, para discutir coletivamente perspectivas de incidências em espaços públicos como o Ministério dos Povos Indígenas, Congresso Nacional, Funai e Secretaria Especial de Saúde Indígena, e estimular debates para construir a III Marcha das Mulheres Indígenas, prevista para ocorrer em setembro.

Além de Joenia, estiveram presentes a primeira-dama, Janja Lula da Silva, a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, a ministra da Mulher, Cida Gonçalves, a deputada indígena eleita por Minas Gerais, Célia Xakriabá, o secretário de Saúde Indígena, Weibe Tapeba, o secretário-executivo do MPI, Eloy Terena, a futura secretária de Direitos Territoriais do MPI, Kerexu Yxapyry, entre outros.

Em seu discurso, Joenia destacou a importância de as mulheres indígenas ocuparem cada vez mais espaços de decisão na sociedade. “Nós mulheres somos capazes sim de exercer a nossa liderança, de tomar posse de cargos em que antes não estávamos, somos capazes de propor políticas públicas para os povos indígenas, não somente para as mulheres, mas para crianças, homens, adultos, para o povo brasileiro”, frisou.

A presidente mencionou ainda os desafios que enfrentou como deputada e enalteceu o apoio que recebeu das lideranças femininas para lutar pelos direitos dos povos indígenas. Segundo ela, a mesma força agora a guiará pelos novos desafios frente à Funai. “Sozinha não fazemos nada. Somos parte de uma luta coletiva. É necessário assumir essa Presidência [da Funai], mas não sozinha, e sim com a força das mulheres indígenas”, completou.

Durante o evento, as mulheres indígenas apresentaram às autoridades demandas relacionadas à garantia de preservação e proteção dos territórios e direitos e entregaram uma carta com reivindicações debatidas e construídas durante o ano de 2022.

Novas perspectivas

Arariquele Pataxó Hãhãhãe é uma das integrantes da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA). Pela segunda vez em Brasília, a baiana compareceu ao evento para fortalecer o movimento feminino. “Nós queremos mostrar para o Brasil e para o mundo que a gente existe e que resiste há mais de 520 anos. Conseguimos colocar uma ministra no poder para falar sobre a realidade de nossas aldeias. Esperamos que a Funai também possa fortalecer a luta dos povos indígenas e servir as aldeias na educação e segurança. Nossos parentes estão sendo massacrados, humilhados. Chegou a hora de acabar com isso”, comentou a jovem.

Fonte: Assessoria de Comunicação / Funai