Ano novo com mais empatia: fogos de artifício prejudicam animais

O barulho da queima de fogos de artifício pode causar estresse, ansiedade, agressividade e até morte nos animais; saiba como protegê-los.

fogos de artifício prejudicam animais no final do ano
Foto: Cão Sem Dono | Divulgação

Os cachorros têm a audição muito bem desenvolvida, conseguindo ouvir até o dobro da frequência que os seres humanos escutam. Porém, em épocas em que se soltam muitos fogos de artifício, como no final do ano, essa habilidade é prejudicial para eles. Há dois meses, após o resultado das eleições, oito cães morreram em um hospital veterinário em Sobradinho (DF) em decorrência da perturbação que o barulho dos fogos de artifício causou nos animais.

O som gerado pelos fogos de artifício pode causar estresse físico e psicológico nos animais, o que se reflete em fugas, agressividade, ansiedade, paradas cardíacas e até morte. “O que para nós é diversão, é motivo de desespero para eles que não entendem que é um evento passageiro, relacionado ao lazer e ao entretenimento”, afirma Gláucia Lombardi, coordenadora da Cão Sem Fome, organização que auxilia cães e gatos abandonados na grande São Paulo.

Além dos animais, pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), crianças, idosos e enfermos também sofrem com o barulho das comemorações. Em vista do bem-estar de todos, alguns eventos oficiais, como o Réveillon de São Paulo, Belo Horizonte e outras sete capitais, e a posse presidencial, no dia primeiro, terão queima de fogos silenciosa.

No escritório da Cão Sem Dono, organização de proteção animal, na região central de São Paulo, um dos diretores, Vicente Define Neto, comenta que a equipe tomará algumas medidas para proteger os animais. “Vamos procurar isolar os animais que estão internados para que não escutem tanto barulho, além de, claro, torcer para que não se queime fogos com barulho”, afirma.

Como proteger seu animal

Os voluntários dão algumas dicas para quem quer proteger seu cão dos perigos oferecidos pelos rojões. Para evitar fugas indesejadas e acidentes, é importante certificar-se que todas as janelas e portas da casa estão bem fechadas, de modo que o cachorro não consiga escapar em uma situação de agonia. As plaquinhas de identificação também ajudam caso as medidas de segurança falhem.

Manter o ambiente isolado para abafar o som e colocar o cão em um cômodo mais seguro, com água e comida são medidas para uma noite mais tranquila. Não deixar o animal amarrado em correntes e coleiras é essencial para evitar que ele se enforque ou se machuque. Além disso, um pano, toalha ou camiseta com o cheiro do dono pode ajudar o animal a não se sentir abandonado pelo tutor.

Cão Sem Dono busca tirar o maior número possível de animais das ruas, dar tratamento adequado e integrá-los a famílias que lhes deem amor, carinho e uma vida digna, por meio de dois abrigos localizados em São Paulo (SP) e Itapecerica da Serra (SP). A organização funcionará todos os dias durante o período de festas e está aberta para visitação, adoção e realização de doações.

Cão Sem Fome é um projeto de voluntariado que atua na Grande São Paulo e auxilia cães e gatos abandonados com foco na alimentação e adoção desses animais. A organização atua em parceria com protetores – pessoas cadastradas para acolher animais em suas casas – que recebem do projeto doações de ração, atendimento veterinário gratuito e apoio para a adoção dos animais. Até o dia 6 de janeiro, no site da organização, podem ser doadas sacolinhas de natal, que serão revertidas em ração para os animais atendidos.

Por Julia Bonin/ observatorio3setor.org.br