Museu 100% interativo também é reduto para profissionais da economia criativa desenvolverem projetos e expandir no mercado local e nacional

visão de cima de brinquedos criativos

Como um museu de arte, ciência e tecnologia consegue impactar a trajetória de empreendedores e produtores que pensam “fora da caixa”? Prestes a completar 1 ano de abertura, o SESI Lab já se consolidou como hub de educação, ciências e tecnologia, e com a criatividade como gerador do conhecimento e de todas as possibilidades de futuro. O resultado: em tão pouco tempo, o museu ampliou mercado e atuação de profissionais da economia criativa do Distrito Federal e demais regiões do país.

A economia criativa mistura dois conceitos complementares: o valor econômico, ligado a processos como produção e distribuição de produtos; e o valor criativo, relacionado a fatores criativos, emocionais e imaginários. Criado pelo professor John Howkins, em seu livro The Creative Economy: How People Make Money From Ideas, a atuação pode ser definida como um processo que utiliza da criação para que as pessoas possam explorar determinado valor econômico.

A loja conceito SESI Lab, aberta desde a inauguração do museu e instalada entre o café e o Experimento Lab, tem sido a porta de entrada para muitos empresários da criatividade. Ali, mais de 200 produtos são comercializados e praticamente todos exclusivos, com a exceção da seleção de livros. Entre variações de modelos, cores e tamanhos divididos por seções de utilitários, papelaria, produtos da Fundação Athos Bulcão, vestuário e peças autorais.

Entre eles, o trabalho realizado pela cantora e designer Thais Fread. A artista foi convidada a criar coleção exclusiva para o SESI Lab, com oito acessórios autorais, entre colares e brincos, inspirados nos aparatos interativos. Intitulada “Conexões”, a seleção é vendida somente no museu e abriu horizontes de vendas e novos projetos.

“É uma parceria que está dando um retorno muito bom, para os dois lados. O museu é um prato cheio para criação. Quando fui apresentada ao espaço foi um paraíso para um designer, né? Ainda mais aqui que tem tudo a ver com o trabalho que já faço, com figuras e temáticas geométricas e com a interatividade nas peças, com muitas peças multifuncionais. E tem a relação direta com conceitos da Física com o uso de imãs, com pêndulos” explica Fread.

“Primeira vez que uma peça minha é comercializada em um museu e era algo sempre sonhado. Nas viagens, sempre visitava lojas de museus e sempre pensava: Nossa, podia ter uma dessa em Brasília. E agora temos uma com esse nível de qualidade e curadoria”, comemora a empresária.

Mulher de cabelos curtos ondulados, sorriso largo e usando blusa preta apoia braço em balcão, em sua frente está uma mesa com várias joias

Afinal, qual o potencial da economia criativa?

E o que o setor tem a ver com o futuro do mercado de trabalho para designers, cineastas, músicos, produtores culturais, artistas plásticos e cênicos e outras diversas possibilidades de atuação na economia criativa? Até 2030, um a cada quatro novos empregos serão no setor criativo, de acordo com levantamento do Observatório Nacional da Indústria. É um crescimento de 13,5% na área, comparado a só 4,2% nos demais setores da economia. No emprego, esse número chega a 1 milhão de vagas até 2030 para as áreas que trabalham diretamente com a criatividade.

Exponencial é adjetivo que bem define a Criando Brinquedos. Há dois anos a empresa entrou no mercado de brinquedos criativos a partir de material não estruturado feito com madeira de reflorestamento. A história da marca e da inauguração do SESI Lab se mistura e marca a expansão de produção e de vendas para o território nacional, como explica o casal de empreendedores Samara dos Santos Freitas e Felipe Alves Freitas, moradores de Sobradinho (DF).  “

“Ser convidado a participar do projeto do SESI Lab foi muito enriquecedor, foi um reconhecimento muito grande que a gente teve, por ter conhecido o museu antes da inauguração e ter participado do primeiro dia de museu aberto ao público com a realização de oficinas interativas. Tem que ser muito criativo para conseguir atender a demanda de um museu. E a demanda do SESI Lab é, digamos assim, de um sarrafo bem alto. É sempre necessário se esforçar bastante para ter um produto de qualidade do padrão do museu”, conta Felipe.

mulher de cabelos grisalhos, sorriso largo, e usando blusa verde ao lado de homem de cabelo preto, sorriso aberto, e blusa jeans de botão, mexem em brinquedo de madeira em cima de uma mesa

Por conta da vitrine dada à Criando com os quatro brinquedos criativos exclusivos para a loja SESI Lab, a marca conseguiu visibilidade e, atualmente, também possui produtos na loja do Instituto Inhotim, em Belo Horizonte (MG), e vendas online para todo o país. “Estávamos com apenas dois anos de empresa quando começamos a trabalhar com o SESI Lab. Um projeto tão novo e já sendo convidado para a inauguração de um museu inédito para o país. Com certeza isso deu outra projeção para o nosso crescimento. E deu uma expansão muito grande em vendas também”, avalia Samara.


“Conseguimos mostrar o nosso potencial criativo como empresa e como colaboração para o desenvolvimento infantil, que é o nosso foco. Além da credibilidade à nossa marca, pois hoje a gente atende tanto no site, no varejo, como no atacado. E também temos um projeto para atender escolas de todo país, um projeto voltado para educação que surgiu a partir das oficinas criadas para o público do SESI Lab”, destaca.


A arte como instrumento de observação do mundo

Desde agosto, a loja conceito do SESI Lab tornou-se o único local no país a disponibilizar a linha Aldebaran, formada por xícaras, pires, canecas e travessas. A coleção é assinada pelo artista e fotógrafo Feco Hamburger e produzida pela Oxford. Para a linha exclusiva, Hamburger criou grafismos usando elementos mínimos: pontos e linhas.

Um desenho liga pontos imaginários que, além da referência astronômica, aponta para a concepção de moléculas, sinapses ou mesmo de pontos de acupuntura. “Desenvolver uma linha de produtos exclusivos para a loja do SESI Lab foi um processo desafiador e prazeroso. Baseado inicialmente na noção astronômica de asterismo: um padrão ou desenho reconhecível formado por pontos no espaço, que podem corresponder a uma constelação ou reunir outros corpos celestes”, explica Hamburger.

Algumas obras do artista compõem a exposição de longa duração do SESI Lab desde a inauguração do museu. Na galeria Fenômenos no Mundo estão expostos 11 trabalhos que abarcam um período de 15 anos de produção de Feco, sendo duas esculturas (Quase meia noite Mintaka e Hamal) e nove fotografias: Ampulheta I e III, Em torno do Mar Morto III, Iridescência 1, Miscibile, Dancing Body e Modo Manual, Alho e Xingu Áries.

foto em preto e branco de home olhando sério para câmera

E como conectar economia criativa e o método “mão na massa”?

Inúmeras possibilidades de atuação podem responder a esse questionamento. No SESI Lab, o mundo disruptivo de criação e inventividade é apresentado pela equipe técnica do museu e com uma participação especial: os oficineiros, que são coletivos ou artistas em trajetória solo prestadores de serviço do museu para a realização de atividades culturais e com embasamento na ciência aplicada.

De dezembro de 2022 a outubro deste ano, o SESI Lab promoveu 59 oficinas maker e biomaker, entre atividades autorais e resultado de contratações de profissionais, em sua grande maioria do Distrito Federal. Um exemplo é o Br.ino Robótica Educacional. Criada em 2017, a startup de robótica educacional contribui para o ensino tecnológico e já capacitou organizações, educadores e milhares de jovens com cursos online. No SESI Lab, já realizou mais de oito atividades, com destaque para a que ensina criar robôs e, assim, ter um contato lúdico com a tecnologia.

Um dos fundadores é Rafael Mascarenhas Dal Moro, diretor de marketing da startup, além de pesquisador formado em Engenharia de Computação pela Universidade de Brasília (UnB) e com atuação nas áreas de robótica educacional e prototipação. “Foi uma surpresa muito feliz que tivemos justamente por ser um espaço que permite a prototipação, que traz uma aprendizagem prática de uma forma muito vívida, e, principalmente, muito bem localizada e de fácil acesso”, argumenta Dal Moro.

homem de costas mexendo em uma mesa e parede de ferramentas

A Programação Cultural é composta por apresentações musicais, contação de história, cinema, teatro, debates e palestras. Até outubro, mais de 16 mil participantes em mais de 210 atividades lúdicas. Como as oferecidas pela Delírio Circense. A estreia do grupo no museu foi durante a primeira edição do Brinca+ SESI Lab, nas férias escolares de julho, e atraiu mais de mil pessoas somente nas atividades coletivas do picadeiro. Desde então, entre pratos de equilíbrio, bolinhas de malabares, acrobacias aéreas e perna de pau, o grupo já está na quarta edição das oficinas no calçadão externo.  

“O circo cabe em todos os espaços. E fazer da oportunidade de integrar a programação do SESI Lab é um convite a brincadeira circense e a propagar que mais espaços culturais promovam interdisciplinaridades e outras competências que o movimento do circo pode trazer”, analisa Lucas Lírio, diretor artístico do grupo. “O SESI Lab é um espaço novo em Brasília que já potencializou muitos cenários interdisciplinares, escolares, familiares e alcançou o público bem no centro da cidade”, avalia.

Clube de Colagem de Brasília (CCBSB) é formado por cinco mulheres que nas oficinas abordam a colagem para além de instruções e indicações. Na avaliação do grupo representado por Letícia Miranda, o projeto expandiu e ganhou mais força após parceria com o museu interativo. “Quando começamos a ministrar oficinas no SESI Lab vimos nosso trabalho alcançar um público variado e diverso. O museu nos possibilitou usufruir de um lugar de trabalho equipado e adequado às elaborações artísticas”, afirma.

palhaça brinca com crianças de bambolê

Museu como espaço de capacitação, fomento e divulgação

Desde a inauguração, o SESI Lab tem sido palco de eventos que estimulam a economia criativa. Para alavancar o setor a partir do acesso democrático aos recursos provenientes da Lei Rouanet, o Serviço Social da Indústria (SESI) e Ministério da Cultura (MinC) assinaram, em outubro, protocolo de intenções para capacitar agentes culturais em todo o Brasil.

O protocolo de intenções tem prazo de vigência de 36 meses e pode ser prorrogado. O objetivo é oferecer habilidades técnicas para elaboração, inscrição, execução e prestação de contas de projetos culturais, no âmbito do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), mais conhecido como Lei Rouanet – na etapa Rouanet Norte. A primeira etapa foi iniciada já em novembro deste ano, com sete encontros nos estados da região.

Em março deste ano, o museu 100% interativo foi palco do lançamento nacional da publicação “Economia da Cultura e Indústrias Criativas”, projeto editorial organizado pelo Itaú Cultural e pela editora WMF Martins Fontes.  A coleção reúne massa crítica teórica e aplicada sobre o tema da economia cultural e criativa com ênfase em três eixos: dimensões teóricas fundadoras, políticas públicas estruturantes e grandes temas contemporâneos. Produtores culturais, investidores em arte e cultura, gestores e políticos, estudantes de economia, artes e ciências políticas são públicos-alvo desta coleção.

O museu interativo também recebeu, em setembro, a primeira edição brasiliense do projeto nacional Expo Favela, que reuniu mais de 60 empreendedores, personalidades e especialistas para conectar a favela e o asfalto a partir do estímulo ao empreendedorismo e à inovação.

SESI LAB: arte, cultura, ciência e tecnologia

  • Onde fica: Setor Cultural Sul – Brasília, DF
  • Pontos de referência: Antigo edifício Touring Club, em frente ao Conic Brasília e ao lado da Plataforma Superior da Rodoviária do Plano Piloto.
  • Horário de atendimento: terça a sexta-feira, das 9h às 18h. Sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h.
  • Reserve seu ingresso em www.sesilab.com.br

Editoria:
• SESI Lab

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Fonte: noticias.portaldaindustria.com.br