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A liberdade é, em si mesma, um elemento terapêutico e uma via para a construção da saúde mental. Portanto, a internação compulsória e todos os métodos que procurem anular as subjetividades das pessoas – choques, curas milagrosas ou eletrochoques – devem ser condenados, como, aliás, tem demonstrado a experiência histórica.

Na primeira mesa de debates da 5ª Conferência Nacional de Saúde Mental Domingos Sávio (CNSM), intitulada “Cuidado em liberdade como garantia de direito à cidadania” e realizada na segunda (11/12), os participantes trataram de um tema que é a síntese dos principais debates em torno das políticas de saúde mental.

O coordenador da mesa, José Vanilson Torres, conselheiro nacional de saúde e representante do Movimento Nacional de População de Rua, fez um resgate histórico da luta antimanicomial e da reforma psiquiátrica. Vanilson saudou a 5ª Conferência, após 13 anos desde a última, como uma possibilidade de superação dos recentes retrocessos.

Mesa I materia

Lorraine Pinheiro Moreira Ferreira, enfermeira e secretária Municipal de Saúde de Macaé (RJ), defendeu que a residência terapêutica, em casos onde seja necessária, não é um fim em si, mas um começo de uma nova vida. “A terapêutica deve buscar mais autonomia para as pessoas, não o contrário”.

Sônia Barros, diretora do Departamento de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas (Desme) do Ministério da Saúde, afirmou: “A liberdade é o elemento terapêutico mais poderoso. E a liberdade não é um achado, mas uma conquista”.

A esta altura, o público interrompeu a fala, aplaudindo e gritando palavras de ordem contra as comunidades terapêuticas. Sônia, então, reiterou o compromisso do Ministério da Saúde com a luta antimanicomial e com as políticas de proteção às pessoas e de seus direitos humanos e sociais.

Kleidson de Oliveira Bezerra, do Movimento Nacional da População de Rua e conselheiro de saúde de Sobradinho (DF) trouxe um relato emocionado, em que narrou como o tratamento humanizado e em liberdade fez diferença em sua vida. “Sem isso jamais conseguiria ser uma pessoa com autonomia, com liberdade e apta a contribuir positivamente para a sociedade e para a saúde mental coletiva”, testemunhou.

Após ter sido internado em uma instituição psiquiátrica, Kleidson conseguiu, com a ajuda de políticas públicas de atenção à saúde mental, transcender o sofrimento e conquistar novos espaços e atuar, inclusive, no apoio a pessoas em situação de sofrimento. Mostra disso foi o vídeo, feito por ele e com base em sua própria história, que exibiu ao público que compareceu ao debate.

Ascom CNS e Comunicação Colaborativa