Dois casos foram solucionados após as postagens na página Procurando Parentes, no Instagram, administrada por uma servidora pública do DF

Pela primeira vez em 19 anos, a auxiliar de serviços gerais Rochelle de Souza (28) poderá passar seu aniversário com o pai. O contato havia sido totalmente perdido depois que Ronaldo, 59, se separou da mãe dela. Porém, com a ajuda do perfil Procurando Parentes, no Instagram, ele e a filha tiveram uma nova chance.

 

Rochelle completará 29 anos em junho. Ronaldo, que mora em Canavieiras (Bahia), viajará até Recife (Pernambuco) para visitá-la. A auxiliar relata que soube do serviço na rede social em janeiro deste ano. “No começo, fiquei receosa, mas queria saber onde ele estava depois de anos. Enviei o que sabia para a página dedicada à reunir familiares. Em dois dias, a sobrinha do meu pai viu a postagem e fez a conexão”, relata.

 

Ela diz estar ansiosa para rever Ronaldo pessoalmente. Após o ocorrido, os dois passaram a se falar todos os dias, por mensagens e videochamadas. Rochelle descobriu, ainda, que tem uma irmã de dois anos de idade. “Antes, eu não tinha nenhum contato, nenhum telefone, nada. Foi impressionante”, afirma.

 

Iniciativa

O perfil Procurando Parentes é uma iniciativa de Juliane Prado, 34, servidora pública. Moradora de Sobradinho, Distrito Federal, conta que a ideia surgiu a partir da própria experiência. “Minha avó Lucia sempre chorava por uma de suas filhas, Célia, que há 50 anos foi entregue a outra família sem seu consentimento. Até que, em 2016, resolvi fazer algo”, conta.

 

Tudo o que a família sabia era o nome de Célia, dos pais adotivos e do município para onde ela foi levada quando criança: Paulo Afonso, na Bahia. As informações renderam uma série de telefonemas, desde pessoas que nunca tinham “nem ouvido falar” até os que diziam ter sido vizinhos.

 

Mesmo depois de descobrir que Célia tinha se mudado de cidade, Juliane não desanimou. Dedicou horas do dia até finalmente conseguir o contato com a tia, em Salvador (BA). Devido ao seu empenho na busca, teve o resultado em uma semana. “Foi um lindo reencontro. Ela chegou a passar o Natal conosco em Formosa. Hoje em dia, nosso contato é diário”, emociona-se a servidora. “Minha avó faleceu pouco tempo depois, mas serei eternamente grata por ter sido um instrumento dessa reunião.”

 

Oportunidade

O perfil Procurando Parentes existe desde 2017 e até a publicação desta reportagem possuía 1.775 seguidores. Juliane administra a conta sozinha e aproveita o tempo livre para fazer postagens, pesquisar perfis e contatar pessoas. “É uma tarefa difícil e muitas vezes sem retorno, mas acredito que seja um trabalho de formiga.”

 

Entre os 17 casos apresentados pela página, dois tiveram solução. No entanto, Juliane destaca a dificuldade para localizar os desaparecidos. “Eu tento tirar o máximo de informações possíveis dos familiares, mas nem sempre consigo detalhes importantes.”

 

Duas demandas do Distrito Federal foram publicados no perfil. “Uma pessoa de Brasília deseja encontrar os três irmãos que nunca conheceu. Possivelmente, moram no DF e região. São eles: Elaine, Eliane e Alexandre, filhos de Luciano Santos Silva, já falecido”, descreve a página. O outro caso é de Givanea Oliveira, que quer encontrar a irmã Cristina. Elas se viram apenas uma vez, em 1985.

Jornalista: Luísa Guimarães

Fonte: Metrópoles