Controverso em excesso, o florentino Galileu Galilei é um dos mais importantes e brilhantes homens que passou pela existência humana. Homem de fé e de ciência é considerado o pai da astronomia, o pai da física moderna, o pai do método científico, o pai da ciência moderna; enfim, o que não lhe falta é paternidade.

Dentre os inúmeros atributos merecidos que recebia também lhe era atribuído o título ou alcunha de pensador, e de fato o era, e de muita sabedoria.

Suas descobertas e suas teses, evidentemente, provocaram enormes desconforto e reação da Igreja na época; período em que saíramos da Idade Média e entráramos no florescer da Idade Moderna.

Berço do renascentismo, Florença, de Galileu, exalava profundas mudanças com os movimentos artísticos, culturais e científicos que mudaram a História da humanidade.

Certa vez, em meio às discussões, perseguições, acusações de heresia e ameaças com a inquisição, Galileu Galilei, disse: “De todos os ódios, nenhum supera o da ignorância contra o conhecimento.”

Frase esta que ele vivenciou e sentiu na pele, pois fora vítima deste ódio, que o levou à condenação por heresia, em 1633, após uma batalha de quase 20 anos entre ele e o Vaticano.

Depois de séculos destes episódios, nada mais atual, contemporâneo e tristemente verdadeiro do que a célebre frase de Galileu Galilei. Em pleno século XXI deparamo-nos com este ódio e com aversão ao conhecimento.

Fenômeno este não restrito aos países periféricos e pouco desenvolvidos, mas de países cuja tecnologia, ciência e o desenvolvimento os levaram a patamares inimagináveis de progresso, como no caso dos EUA, da Europa e países da América do Sul, em especial, o Brasil.

Retroagimos enquanto cultura, abdicamos das obviedades cientificas como as vacinas, a medicina, a pesquisa, e voltamos à perseguição, à ignorância, à manipulação da fé e da cruzada anticivilizacional.

Matamos, agredimos, vitimamos o saber. Inadvertidamente, nos comportamos como bestas-feras seja na política, no coabitar, na fé, e damos vazão a toda esta selvageria da ignorância.

É preciso reflorescer; é urgente humanizar e imperioso respeitar as diferenças, o conhecimento, a ciência, a civilidade.

Não podemos mais coexistir e voltarmos à Idade Média.

Por Henrique Matthiesen, Formado em Direito e Pós-Graduado em Sociologia.