Na capital, equipes são exemplos de como o trabalho com robôs é muito humano

Cada vez mais as pessoas utilizam robôs e inteligência artificial para realizarem as suas tarefas diárias. Atividades como acender a luz, varrer a casa e até controlar a climatização já podem ser realizadas através de um assistente virtual. Dentro dessa perspectiva, escolas no Distrito Federal também buscam, através da atividade extracurricular de robótica, inserir os alunos nesse meio e, ao mesmo tempo, trabalhar questões que vão ajudá-los tanto na formação de caráter, como no futuro profissional. Na capital, equipes lideradas pela professora Kamilla Sousa, técnica da equipe de Robótica “Bisc8” do Sesi de Sobradinho, e pelo professor Vilmar Andrade, professor de Matemática e coordenador do Clube de Robótica do Colégio Militar de Brasília, são exemplos de como o trabalho com robôs é muito humano.

8 inventores de soluções criativas

Os integrantes da Bisc8 de Sobradinho , que tinham recém chegado de São Paulo após classificação para a etapa internacional do Torneio de Robótica First Lego League (FLL), receberam um balde de água fria, pois, devido a pandemia, a competição teve suas etapas futuras canceladas e um encerramento on-line foi realizado.

Apesar de não terem maiores informações sobre como será o próximo torneio, o tema da próxima temporada já foi escolhido – ‘RePLAY’ – esportes e brincadeiras que movimentam o corpo e evitam o sedentarismo. Kamilla Sousa, que também é professora de educação física, comenta que mantém altas expectativas, além de achar o tema da temporada fantástico e já pensar em como vai trabalhá-lo com a equipe.

Sobre a forma como a robótica atua na vida pessoal e profissional dos alunos, destacam-se alguns pontos: estudantes que participam do projeto se tornam mais responsáveis e confiantes, trabalham a oratória, tomada de decisão, objetivos e metas individuais e coletivas. Isso influencia o despertar da curiosidade para assuntos atuais e resolução de problemas, dessa forma, preparando-os para escolhas e desafios futuros, comenta a professora.

Sobre as vantagens e desvantagens da robótica no mundo atual, Kamilla pontua que não vê desvantagem. “É um projeto muito atual, acredito que ganhará cada vez mais espaço nas escolas. No formato que o torneio é conduzido, ele trabalha valores fundamentais para o desenvolvimento dos alunos e respeita as particularidades. Tornando assim os jovens mais participativos na comunidade.”

Alcance social como prioridade

O professor Vilmar Andrade do Nascimento trouxe a robótica para o cotidiano do Colégio Militar em 2006 quando, ainda em Fortaleza (CE), aceitou a sugestão de um de seus alunos para que o inscrevesse na Olimpíada Brasileira de Robótica. Considerando o sucesso da ação, visto que o aluno foi medalhista na ocasião, Vilmar decidiu seguir com o projeto, mas em Brasília, onde teve um sucesso ainda maior. A atividade extracurricular, realizada nos contraturnos e ministrada com o auxílio de quatro ex-alunos, acumula uma média de presença de 180 estudantes.

O professor conta que, durante as dinâmicas, procura direcionar os projetos para área social, onde os pupilos possam retribuir o investimento da sociedade e desenvolver aptidões que possam qualificá-los futuramente. A exemplo disso, foram desenvolvidas ferramentas como uma impressora braile de baixo custo, um mini-submarino que coleta poluentes dos leitos de rios e um drone polinizador de flores. Dentro dessa perspectiva, Vilmar quer continuar ampliando esse horizonte e, para isso, iniciou, com a ajuda dos participantes das aulas, o planejamento de construção do “Robô Léo”, um robô que trabalha, para pessoas com autismo, a matemática básica e lateralidade, ou seja, esquerda e direita.

Segundo o docente, a ideia foi originada a partir da observação do contato do sobrinho autista com os equipamentos da robótica. “Percebi que a ideia de tecnologia e jogos deixava ele maravilhado. Então pensei ‘por que não criar algo que possa se ajustar a esse grupo específico de crianças?’”, revela. No momento, o projeto ainda não saiu do papel por conta da falta de contato entre professor e alunos, porém, Vilmar acredita que a ideia é muito interessante e irá funcionar.

Diante da pandemia, o professor crê que o alcance das atividades não é o mesmo do presencial porque atingem apenas uma parte específica dos alunos. Entretanto, ele afirma que a robótica sempre teve a ideia de ensino híbrido (presencial e virtual) utilizando os meios online: o Google Meet, o Discord e videoaulas no Youtube e que, dessa forma, o costume dos estudantes foi facilitado. Tendo em vista o futuro escolar, Vilmar opina, “Teremos que reaprender muito, não só nós (professores), mas como alunos e pais também. O impacto (do tempo longe) será enorme”.

Fonte: Gabriella Tomaz e Thiago Quint
Jornal de Brasília / Agência UniCEUB – Fotos: Tomaz Silva/Agência Brasil e Helio Montferre